Eu queria ter mais tempo.
Sou daquelas pessoas maníacas por relógio. Não tiro o meu (de ponteiros) do punho direito e olho pra ele o tempo todo. No meu quarto tem três relógios, dois digitais e um de ponteiros.
Na sala de jantar, tem um relógio daqueles velhinhos, que toca curtinho a cada 15 minutos e toca bem longo toda hora, pra gente contar as badaladas. Perto da televisão tem outro, tem o do microondas, o do quarto da avó, o do computador, o do celular.
E mesmo assim, o tempo me falta.
Se sobrar um tempinho aí pra alguém, por favor, me enviem. Pode ser por e-mail.
domingo, 18 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Mais uma de casamento
Perdi a conta dos casamentos a que fui este ano. Só no início de outubro, foram quatro amigos que casaram no mesmo dia. Em locais diferentes. Nesse caso, escolhi só um para ir. Por acaso, fui madrinha nele.
Já disse aqui que não gosto de casamentos. Acho que não sei nem explicar o motivo.
Outro dia, li o texto da Cris Guerra (de Para Francisco) na revista Ragga, que circula em Minas e é voltada para adolescentes chatos. Nem comento a revista. Mas gosto de ler a coluna da Cris, No provador. E, mais uma vez, ela arrasou. Vejam:
Um espetáculo chamado casamento
Um hábito que não sai de moda. Num mundo cada vez mais voltado para o consumo, o casamento é um produto de luxo sempre desejado.
Cerimônias e recepções são utopias bem construídas, que despertam um desejo oculto até nos homens mais durões.
Nada contra o amor: todos nós trazemos o sonho de ser a escolha de alguém. Mas, com esse sonho, vem outro ainda mais atraente: entrar na igreja de branco, observada pelos convidados comovidos, jurar amor eterno, jogar o buquê.
Diante de nós, abrem-se as portas de um mundo mágico e anuncia-se um show.
O convite. O cerimonial. A música. O buquê. O vestido. A lua de mel. E, lá na frente, pequeno e coadjuvante, o noivo a esperar por aquela que é obrigada a se atrasar - mas que não tolerará atrasos ao longo do relacionamento.
Não há nada de errado em festejar. O que me assuta é dar à celebração tamanho maior que o próprio amor. Como quem proclama um feito heróico, os convidados seguem se divertindo e homenageando os noivos, numa espécie de prenúncio do que vem pela frente.
Não, não será fácil. O casamento já nasce de mãos dadas com a palavra obrigação. E a obrigação é inimiga do desejo.
Sei que posso ser apedrejada pelo que penso. Mas penso. Há algo de errado nessa tentativa de fortalecer um laço que, por si só, já é frágil. O amor tem suas armadilhas. A maior delas é ter de ser para sempre.
Amor é promessa de tentar. Mas prometer que se vai consegui é um tanto pretensioso.
Uma vez feito o juramento e assinados os papéis, outro perigo: a garantia de quem aquela pessoa vai estar sempre lá, no dia seguinte. Até que, depoiws de um dia exaustivo, ela se deita ao lado dele e deixa para amanhã. Começa assim.
O que passa a manter duas pessoas juntas é, cada vez mais, o juramento diante de centenas de convidados. (Será que é por isso?)
A intenção de tornar uma união duradoura é o começo do amor, mas está longe de ser sua garantia. Demoramos a perceber que o maior alicerce do amor é justamente a impossibilidade de haver essa garantia. É essa incerteza que nos ajuda a estar atentos aos pequenos gestos, tornando a conquista um desafio gostoso e diário. Conheço alguns que conseguem.
Sou fã do amor e da sensação que ele traz: a de estar voltando pra casa. Desconfio, no entanto, que justamente a relação que se coloca à prova todos os dias é a que está fadada a dar certo.
Por isso, se você decidir se casar, faça-se uma pergunta: você quer dizer sim para o outro ou para os outros? Está mais apaixonada pelo noivo ou pelo vestido?
Se o amor ganhar a parada, case-se, sim. Mas, ao fim do espetáculo, não se revele um palhaço triste ao tirar a maquiagem. Cuide da relação com o mesmo entusiasmo com que cuidou da festa.
(Cris Guerra - Coluna No Provador - Revista Ragga - Outubro/2009)
Preciso dizer mais alguma coisa?
Já disse aqui que não gosto de casamentos. Acho que não sei nem explicar o motivo.
Outro dia, li o texto da Cris Guerra (de Para Francisco) na revista Ragga, que circula em Minas e é voltada para adolescentes chatos. Nem comento a revista. Mas gosto de ler a coluna da Cris, No provador. E, mais uma vez, ela arrasou. Vejam:
Um espetáculo chamado casamento
Um hábito que não sai de moda. Num mundo cada vez mais voltado para o consumo, o casamento é um produto de luxo sempre desejado.
Cerimônias e recepções são utopias bem construídas, que despertam um desejo oculto até nos homens mais durões.
Nada contra o amor: todos nós trazemos o sonho de ser a escolha de alguém. Mas, com esse sonho, vem outro ainda mais atraente: entrar na igreja de branco, observada pelos convidados comovidos, jurar amor eterno, jogar o buquê.
Diante de nós, abrem-se as portas de um mundo mágico e anuncia-se um show.
O convite. O cerimonial. A música. O buquê. O vestido. A lua de mel. E, lá na frente, pequeno e coadjuvante, o noivo a esperar por aquela que é obrigada a se atrasar - mas que não tolerará atrasos ao longo do relacionamento.
Não há nada de errado em festejar. O que me assuta é dar à celebração tamanho maior que o próprio amor. Como quem proclama um feito heróico, os convidados seguem se divertindo e homenageando os noivos, numa espécie de prenúncio do que vem pela frente.
Não, não será fácil. O casamento já nasce de mãos dadas com a palavra obrigação. E a obrigação é inimiga do desejo.
Sei que posso ser apedrejada pelo que penso. Mas penso. Há algo de errado nessa tentativa de fortalecer um laço que, por si só, já é frágil. O amor tem suas armadilhas. A maior delas é ter de ser para sempre.
Amor é promessa de tentar. Mas prometer que se vai consegui é um tanto pretensioso.
Uma vez feito o juramento e assinados os papéis, outro perigo: a garantia de quem aquela pessoa vai estar sempre lá, no dia seguinte. Até que, depoiws de um dia exaustivo, ela se deita ao lado dele e deixa para amanhã. Começa assim.
O que passa a manter duas pessoas juntas é, cada vez mais, o juramento diante de centenas de convidados. (Será que é por isso?)
A intenção de tornar uma união duradoura é o começo do amor, mas está longe de ser sua garantia. Demoramos a perceber que o maior alicerce do amor é justamente a impossibilidade de haver essa garantia. É essa incerteza que nos ajuda a estar atentos aos pequenos gestos, tornando a conquista um desafio gostoso e diário. Conheço alguns que conseguem.
Sou fã do amor e da sensação que ele traz: a de estar voltando pra casa. Desconfio, no entanto, que justamente a relação que se coloca à prova todos os dias é a que está fadada a dar certo.
Por isso, se você decidir se casar, faça-se uma pergunta: você quer dizer sim para o outro ou para os outros? Está mais apaixonada pelo noivo ou pelo vestido?
Se o amor ganhar a parada, case-se, sim. Mas, ao fim do espetáculo, não se revele um palhaço triste ao tirar a maquiagem. Cuide da relação com o mesmo entusiasmo com que cuidou da festa.
(Cris Guerra - Coluna No Provador - Revista Ragga - Outubro/2009)
Preciso dizer mais alguma coisa?
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Medos profundos
Na minha última sessão de terapia, falei do meu problema com aniversários. Adoro os aniversários de todo mundo. Mas odeio o meu. Esta semana, foi uma lástima. Coloquei o celular no silencioso e avisei em casa e no trabalho que não ia atender o fixo. Não abri meu e-mail pessoal. Fugi, como faço sempre. E reclamei de todo mundo que insistiu em ligar, até fiquei de cara feia na festa supresa que fizeram pra mim.
No dia seguinte, tinha terapia. Fui lá falar que estava querendo um pouco mais de compreensão, de respeito dos outros seres vivos que dividem espaço comigo. Dá pra entender que eu não gosto? Todo mundo fala que entende mas na hora, me entope de ligações repetitivas e de brincadeirinhas chatas. Meu nivel de mau humor só vai crescendo ao longo do dia. Daí, Tia Terapeuta me pergunta: "você não gosta ou você tem medo?". E eu, parecendo criança, abro a boca a chorar.
Nunca pensei que minha repulsa ao meu aniversário pudesse ser medo. Faz um tantão assim de sentido. Daí, lembrei de um texto que eu escrevi quando o blog ainda era no Terra. Ele vai aí embaixo.
25.07.07
Medos
Eu tinha medos profundos.
Medo da bruxa que eu acreditava que vivia num canto escuro do andar de baixo da minha casa. Eu não queria nem olhar para aquele canto, com receio dela aparecer. Medo dos monstros que vivam dentro do armário de debaixo da cama.
Medo de que o escuro tomasse conta da casa. Da chuva forte que cortava a luz e fazia o escuro chegar repentinamente.
Medo do vovô ir embora e nunca mais voltar.
Medo do barulho dos sapatos o meu pai quando ele subia a escada. Medo de ter feito alguma coisa errada e ser castigada.
Já tive medo de ser rejeitada, de descobrir grandes mentiras, de perder a vida por bobagem. De sempre viver presa, de nunca respirar a liberdade e, por isso, perder a vontade de viver.
Liberdade de escolhas facilita a vida. Tive a liberdade de escolher que a bruxa e os monstros não existiam. Que para cada escuro, existe uma vela ou uma lanterna.
Escolhi a hora certa de sair de perto do pai dominador e violento. Dele, estou livre. Só não pude escolher a permanência do vovô. Ainda sinto a falta dele, 14 anos depois da partida.
No dia seguinte, tinha terapia. Fui lá falar que estava querendo um pouco mais de compreensão, de respeito dos outros seres vivos que dividem espaço comigo. Dá pra entender que eu não gosto? Todo mundo fala que entende mas na hora, me entope de ligações repetitivas e de brincadeirinhas chatas. Meu nivel de mau humor só vai crescendo ao longo do dia. Daí, Tia Terapeuta me pergunta: "você não gosta ou você tem medo?". E eu, parecendo criança, abro a boca a chorar.
Nunca pensei que minha repulsa ao meu aniversário pudesse ser medo. Faz um tantão assim de sentido. Daí, lembrei de um texto que eu escrevi quando o blog ainda era no Terra. Ele vai aí embaixo.
25.07.07
Medos
Eu tinha medos profundos.
Medo da bruxa que eu acreditava que vivia num canto escuro do andar de baixo da minha casa. Eu não queria nem olhar para aquele canto, com receio dela aparecer. Medo dos monstros que vivam dentro do armário de debaixo da cama.
Medo de que o escuro tomasse conta da casa. Da chuva forte que cortava a luz e fazia o escuro chegar repentinamente.
Medo do vovô ir embora e nunca mais voltar.
Medo do barulho dos sapatos o meu pai quando ele subia a escada. Medo de ter feito alguma coisa errada e ser castigada.
Já tive medo de ser rejeitada, de descobrir grandes mentiras, de perder a vida por bobagem. De sempre viver presa, de nunca respirar a liberdade e, por isso, perder a vontade de viver.
Liberdade de escolhas facilita a vida. Tive a liberdade de escolher que a bruxa e os monstros não existiam. Que para cada escuro, existe uma vela ou uma lanterna.
Escolhi a hora certa de sair de perto do pai dominador e violento. Dele, estou livre. Só não pude escolher a permanência do vovô. Ainda sinto a falta dele, 14 anos depois da partida.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Dia de terapia, dia de por algumas coisas em dia
Sim, eu me inspirei no post da Intense. Principalmente porque no meu último post, ao falar sobre o livro da minha irmã, eu só conseguia pensar na Tia Terapeuta.
Quinta-feira fui lá, toda faceira, esperando que ela resolvesse todos os meus problemas familiares. Mostrei o caderno pra ela. E ela delirou. Pela minha vontade, deixava o caderno lá, na gavetinha do consultório.
Porém, todavia, entretanto... ela me pediu para tentar ler tudo. Começar de novo, do início, mas lendo com outros olhos. Como se a narrativa que, à primeira vista é uma bomba, fosse um presente da irmã pra mim.
Prometi pra Tia Terapeuta que ia tentar. Deixei o mardito caderno dentro da minha bolsa. E toda hora eu olho pra ele, como se fosse uma barata ou uma lagartixa. Mas tentando fazer parecer um filhotinho de shi-tzu.
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
Várias viagens nos últimos dias. Algumas a trabalho. Uma a lazer. Cansei horrores. Mas foi bom, no final das contas. Li Um brinde de cianureto, da Agatha Christie, com sofreguidão, enquanto fingia que eu estava lá em casa e não decolando em um vôo. Foi do mesmo jeito que comecei a ler Leite derramado, do Chico Buarque, primeiro no saguão do aeroporto, na viagem de volta, depois fingindo que ainda continuava lá enquanto aquela máquina super pesada saída do solo, exatamente daquele jeito que parece ser surreal.
Descobri Niterói e o forte de Santa Cruz da Barra. Voltei ao Rio de Janeiro depois de N anos. Visitei os parentes que mereciam. Fui a mais um casamento. E chorei pacas quando o noivo entrou ao som de Nothing else matters, do Metallica.
Compareci aos eventos mais chatos do planeta numa cidade que odeio, mas que é a casa do cliente. Não tinha como fugir. Reforcei a preguiça de alguns clientes, de parte da família, do trabalho... indício de que preciso de férias. Os três dias no Rio ajudaram muito, mas não resolveram.
Na verdade... eu queria era ir pra Lua mesmo. E ficar no mínimo um mês e meio.
Quinta-feira fui lá, toda faceira, esperando que ela resolvesse todos os meus problemas familiares. Mostrei o caderno pra ela. E ela delirou. Pela minha vontade, deixava o caderno lá, na gavetinha do consultório.
Porém, todavia, entretanto... ela me pediu para tentar ler tudo. Começar de novo, do início, mas lendo com outros olhos. Como se a narrativa que, à primeira vista é uma bomba, fosse um presente da irmã pra mim.
Prometi pra Tia Terapeuta que ia tentar. Deixei o mardito caderno dentro da minha bolsa. E toda hora eu olho pra ele, como se fosse uma barata ou uma lagartixa. Mas tentando fazer parecer um filhotinho de shi-tzu.
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
Várias viagens nos últimos dias. Algumas a trabalho. Uma a lazer. Cansei horrores. Mas foi bom, no final das contas. Li Um brinde de cianureto, da Agatha Christie, com sofreguidão, enquanto fingia que eu estava lá em casa e não decolando em um vôo. Foi do mesmo jeito que comecei a ler Leite derramado, do Chico Buarque, primeiro no saguão do aeroporto, na viagem de volta, depois fingindo que ainda continuava lá enquanto aquela máquina super pesada saída do solo, exatamente daquele jeito que parece ser surreal.
Descobri Niterói e o forte de Santa Cruz da Barra. Voltei ao Rio de Janeiro depois de N anos. Visitei os parentes que mereciam. Fui a mais um casamento. E chorei pacas quando o noivo entrou ao som de Nothing else matters, do Metallica.
Compareci aos eventos mais chatos do planeta numa cidade que odeio, mas que é a casa do cliente. Não tinha como fugir. Reforcei a preguiça de alguns clientes, de parte da família, do trabalho... indício de que preciso de férias. Os três dias no Rio ajudaram muito, mas não resolveram.
Na verdade... eu queria era ir pra Lua mesmo. E ficar no mínimo um mês e meio.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Dilema
Dia desses, minha irmã, que tem transtorno bipolar, me ligou pra dizer que estava curada. E que estava escrevendo um livro. E queria minha ajuda para revisar. Todos os meus preconceitos vieram à toda.
Primeiro, de onde ela tirou essa história de "curada"? Até onde eu sei, o transtorno não tem cura. Quem disse isso pra ela? Segundo a própria, o psiquiatra e a psicóloga. Que devem ter passado por um surto de loucura. Depois, como assim, ela escrevendo um livro? Do que eu me lembro, ela nem gosta de ler, quanto mais de escrever. Mas vá lá, se isso a ajuda a expurgar seus problemas, ok. Eu vou revisar? Puxa, já é tão difícil ter de conviver com essas coisas de bipolar... que dirá rever tudo, esses anos todos, ainda mais pela ótica dela... Um fardo muito pesado. Mas, por entender que com isso ela pode melhorar, abri mão dos meus preconceitos e disse a ela que me mandasse o texto.
Ele veio. Em um caderno pequeno, páginas escritas com força e às pressas. Letra às vezes incompreensível. A história que ela conta, do primeiro surto, só me fez ver que os médicos e a psicóloga que a atendem ou são muito lentos ou não sabem como lidar com ela. Ela repete exatamente a mesma história que contou no primeiro surto, como se ainda não tivesse entendido que aqueles fatos, que ela viu e ouviu, só foram vistos e ouvidos na mente dela.
Ela tem consciência de que escutou e viu coisas que não são reais. Mas as principais, as que fazem toda a diferença, ela não leva em conta. Acha que são elas que deram início ao surto, sendo que elas são o próprio surto, em sua forma mais dolorosa.
Não li nem a metade do manuscrito. Porque doeu demais. Doeu ver que ela se agarra a uma realidade que não existe e, com ela, justifica a doença. Doeu por ver que ela ainda está longe da estabilidade emocional, se é que vai ter um dia. Doeu por eu ter que me confrontar mais uma vez com esse problema - que não é meu, mas me atinge em cheio - do qual eu tento fugir algumas vezes.
Eu preciso aceitar que o transtorno bipolar não é igual a uma dorzinha que se cura com aspirina.
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
Viagens
Oito viagens em seis dias. Eu mereço... colei uma caixa de Ploc Monster na cruz.
Primeiro, de onde ela tirou essa história de "curada"? Até onde eu sei, o transtorno não tem cura. Quem disse isso pra ela? Segundo a própria, o psiquiatra e a psicóloga. Que devem ter passado por um surto de loucura. Depois, como assim, ela escrevendo um livro? Do que eu me lembro, ela nem gosta de ler, quanto mais de escrever. Mas vá lá, se isso a ajuda a expurgar seus problemas, ok. Eu vou revisar? Puxa, já é tão difícil ter de conviver com essas coisas de bipolar... que dirá rever tudo, esses anos todos, ainda mais pela ótica dela... Um fardo muito pesado. Mas, por entender que com isso ela pode melhorar, abri mão dos meus preconceitos e disse a ela que me mandasse o texto.
Ele veio. Em um caderno pequeno, páginas escritas com força e às pressas. Letra às vezes incompreensível. A história que ela conta, do primeiro surto, só me fez ver que os médicos e a psicóloga que a atendem ou são muito lentos ou não sabem como lidar com ela. Ela repete exatamente a mesma história que contou no primeiro surto, como se ainda não tivesse entendido que aqueles fatos, que ela viu e ouviu, só foram vistos e ouvidos na mente dela.
Ela tem consciência de que escutou e viu coisas que não são reais. Mas as principais, as que fazem toda a diferença, ela não leva em conta. Acha que são elas que deram início ao surto, sendo que elas são o próprio surto, em sua forma mais dolorosa.
Não li nem a metade do manuscrito. Porque doeu demais. Doeu ver que ela se agarra a uma realidade que não existe e, com ela, justifica a doença. Doeu por ver que ela ainda está longe da estabilidade emocional, se é que vai ter um dia. Doeu por eu ter que me confrontar mais uma vez com esse problema - que não é meu, mas me atinge em cheio - do qual eu tento fugir algumas vezes.
Eu preciso aceitar que o transtorno bipolar não é igual a uma dorzinha que se cura com aspirina.
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
Viagens
Oito viagens em seis dias. Eu mereço... colei uma caixa de Ploc Monster na cruz.
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domingo, 23 de agosto de 2009
Uterino
Eu sou uma mulher - Marina Colasanti
Eu sou uma mulher que sempre achou bonito menstruar.
Os homens vertem sangue por doença
Sangria
Ou por punhal cravado,
Rubra urgência a estacar
Trancar no escuro emaranhado das artérias.
Em nós o sangue aflora como fonte
No côncavo do corpo
Olho d'água escarlate
Encharcado cetim que escorre em fio.
Nosso sangue se dá de mão beijada
Se entrega ao tempo
como chuva ou vento.
O sangue masculino tinge as armas e o mar
Empapa o chão e os campos de batalha
Respinga as bandeiras
Mancha a história.
O nosso vai colhido em brancos panos
Escorre sobre as coxas
Benze o leito
Manso sangrar sem grito
Que anuncia a ciranda da fêmea.
Eu sou uma mulher que sempre achou bonito menstruar.
Pois há um sangue que corre para a morte
E o nosso que se entrega para a lua.
Amarilis tinha 15 anos quandou ganhou da ginecologista um folheto com essa poesia da Marina Colasanti. Ela tentava convencer Amarilis de que a menstruação, além de ser uma coisa normal, era bonita.
Não era isso que Amarilis pensava. Quando ela menstruou pela primeira vez, alguns anos antes, recebeu um "parabéns" da mãe. "Parabéns por quê? Pêsames, por favor. O que que isso tem de bom? Quanto tempo vai durar? Eu não posso tirar o útero e acabar com isso de uma vez?".
Ela sofria. Chorava. Pedia a Deus pra não passar por aquilo de novo. Até que deu-se a melódia. Um dia, ela monstruou com força, com dor, com excesso. Tanto que foi parar no hospital. Mais um pouco ainda, ela precisou de uma cirurgia e de tomar três bolsas de sangue. Os hormônios de Amarilis estavam meio maluquinhos. Depois da cirurgia, quando tudo acabou, ela só queria nunca mais ter que menstruar na vida.
Não, isso não era bonito. Não era legal, não era agradável, não era bom, não era normal. Nem o lirismo da Marina Colasanti fizeram Amarilis acreditar que a vida seria normal menstruando.
Eu sou uma mulher que sempre achou bonito menstruar.
Os homens vertem sangue por doença
Sangria
Ou por punhal cravado,
Rubra urgência a estacar
Trancar no escuro emaranhado das artérias.
Em nós o sangue aflora como fonte
No côncavo do corpo
Olho d'água escarlate
Encharcado cetim que escorre em fio.
Nosso sangue se dá de mão beijada
Se entrega ao tempo
como chuva ou vento.
O sangue masculino tinge as armas e o mar
Empapa o chão e os campos de batalha
Respinga as bandeiras
Mancha a história.
O nosso vai colhido em brancos panos
Escorre sobre as coxas
Benze o leito
Manso sangrar sem grito
Que anuncia a ciranda da fêmea.
Eu sou uma mulher que sempre achou bonito menstruar.
Pois há um sangue que corre para a morte
E o nosso que se entrega para a lua.
Amarilis tinha 15 anos quandou ganhou da ginecologista um folheto com essa poesia da Marina Colasanti. Ela tentava convencer Amarilis de que a menstruação, além de ser uma coisa normal, era bonita.
Não era isso que Amarilis pensava. Quando ela menstruou pela primeira vez, alguns anos antes, recebeu um "parabéns" da mãe. "Parabéns por quê? Pêsames, por favor. O que que isso tem de bom? Quanto tempo vai durar? Eu não posso tirar o útero e acabar com isso de uma vez?".
Ela sofria. Chorava. Pedia a Deus pra não passar por aquilo de novo. Até que deu-se a melódia. Um dia, ela monstruou com força, com dor, com excesso. Tanto que foi parar no hospital. Mais um pouco ainda, ela precisou de uma cirurgia e de tomar três bolsas de sangue. Os hormônios de Amarilis estavam meio maluquinhos. Depois da cirurgia, quando tudo acabou, ela só queria nunca mais ter que menstruar na vida.
Não, isso não era bonito. Não era legal, não era agradável, não era bom, não era normal. Nem o lirismo da Marina Colasanti fizeram Amarilis acreditar que a vida seria normal menstruando.
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domingo, 9 de agosto de 2009
Doenças de ontem e de hoje
Estamos pirando com a gripe suína. Eu estou. Você está? Já tinha comentado antes que está parecendo a histeria do Ensaio sobre a cegueira, do Saramago. Na minha cidade, já não há mais álcool gel pra comprar.
Hoje, minha tia Y., de 87 anos, estava contando uma de suas histórias...
A irmã mais velha da minha mãe se casou e foi para São Paulo com o marido. Ela teve um filho lá e já estava grávida do segundo quando pegou tuberculose, das cunhadas. Ela voltou pra cá e acabou passando a tuberculose pra irmã mais nova e pra um dos irmãos. Minha avó ficou cuidando dela, dizia que mãe não pega doença de filho. Vovó era magrinha, fraquinha, e não pegou tuberculose. A tia acabou morrendo no parto. Minha mãe era noiva, ficou cuidando dos sobrinhos enquanto o pai não vinha buscá-los.
Depois dessa tia, morreu o tio e a tia mais nova. Dizem que eu pareço muito com ela. Vovó teve três filhos, E., que morreu tuberculoso, J. e F., que moravam em outra cidade. Das mulheres eram M, a mais velha, tuberculosa, que deixou dois filhos, E., minha mãe, O., que chamávamos de Titia e que cuidou de nós, A., que ficou solteirona, e A., a mais nova, que morreu tuberculosa.
Titia tinha tanto medo da tuberculose que, assim que tia M. morreu e minha mãe se casou, foi morar com a minha mãe. Só voltou pra cá quando nos mudamos pro Nordeste. E, mesmo assim, ela não queria voltar praquela casa. Ela achava que a casa estava contaminada com a tuberculose. Vovó não teve outra alternativa a não ser vender a casa. Vendeu por uma minharia, só pra satisfazer a filha luxenta, que tinha pavor da doença. Hoje, essa casa vale uma fortuna.
A tuberculose fez um bom estrago na família. O pai dos meus primos veio buscar os filhos. Nós nunca mais soubemos deles. Voltaram para São Paulo e por lá ficaram. O contato foi perdido. Minha avó perdeu três filhos em sequência. A família perdeu uma boa casa porque a Titia tinha medo da doença. A casa foi vendida, outra família foi pra lá e ninguém ficou tuberculoso. Mas Titia manteve o medo. Até ficar velhinha, ela tinha pavor de tuberculose.
Hoje, minha tia Y., de 87 anos, estava contando uma de suas histórias...
A irmã mais velha da minha mãe se casou e foi para São Paulo com o marido. Ela teve um filho lá e já estava grávida do segundo quando pegou tuberculose, das cunhadas. Ela voltou pra cá e acabou passando a tuberculose pra irmã mais nova e pra um dos irmãos. Minha avó ficou cuidando dela, dizia que mãe não pega doença de filho. Vovó era magrinha, fraquinha, e não pegou tuberculose. A tia acabou morrendo no parto. Minha mãe era noiva, ficou cuidando dos sobrinhos enquanto o pai não vinha buscá-los.
Depois dessa tia, morreu o tio e a tia mais nova. Dizem que eu pareço muito com ela. Vovó teve três filhos, E., que morreu tuberculoso, J. e F., que moravam em outra cidade. Das mulheres eram M, a mais velha, tuberculosa, que deixou dois filhos, E., minha mãe, O., que chamávamos de Titia e que cuidou de nós, A., que ficou solteirona, e A., a mais nova, que morreu tuberculosa.
Titia tinha tanto medo da tuberculose que, assim que tia M. morreu e minha mãe se casou, foi morar com a minha mãe. Só voltou pra cá quando nos mudamos pro Nordeste. E, mesmo assim, ela não queria voltar praquela casa. Ela achava que a casa estava contaminada com a tuberculose. Vovó não teve outra alternativa a não ser vender a casa. Vendeu por uma minharia, só pra satisfazer a filha luxenta, que tinha pavor da doença. Hoje, essa casa vale uma fortuna.
A tuberculose fez um bom estrago na família. O pai dos meus primos veio buscar os filhos. Nós nunca mais soubemos deles. Voltaram para São Paulo e por lá ficaram. O contato foi perdido. Minha avó perdeu três filhos em sequência. A família perdeu uma boa casa porque a Titia tinha medo da doença. A casa foi vendida, outra família foi pra lá e ninguém ficou tuberculoso. Mas Titia manteve o medo. Até ficar velhinha, ela tinha pavor de tuberculose.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Ser ou não ser eu mesma
O post da Bel sobre ver e ser visto na internet me deu uma piradinha. Eu até já havia falado sobre isso no post Segredos.
E aí que eu resolvi responder a pesquisa da Bel. E, pela primeira vez, contei (indiretamente)pra alguém o motivo de estar tão afastada do Abacate. Desde que comecei a pensar sobre a dificuldade de postar anônima, estava imaginando como seria ter um blog com meu nome próprio.
Como eu tenho vontades que vêm do nada, e ficam me cutucando... acabei criando um blog pessoal. E consegui manter uma boa regularidade de postagens. Isso porque avisei no trabalho, mostrei pro namorado e falei com quase todo mundo que está próximo. Aí, ficou fácil. Se eu queria postar, era só abrir o blog 2 e pronto, não precisava ficar me escondendo.
Gostei da experiência. Só não gostei de ter deixando o Abacate de lado. Não estou pensando em escolher entre um e outro, mas em manter os dois. Não quero perder o que postei aqui, mas também não quero que a Lile se misture com "meu outro eu". Nem imagino se, um dia, unir os dois blogs, como farei pra continuar com a História Secreta de Amarilis. Afinal, o "outro eu" não pode, ainda, assumir essa história.
O engraçado é que, pra cada pergunta da Bel, eu tinha uma resposta "Lile" e outra do "eu real". Estava parecendo uma pessoa maluca com dupla personalidade. E sim, quase acreditei que tinha dupla personalidade.
Ah... não, nem pensar. Não vou dizer qual é o outro blog. Pelo menos por enquanto.
E aí que eu resolvi responder a pesquisa da Bel. E, pela primeira vez, contei (indiretamente)pra alguém o motivo de estar tão afastada do Abacate. Desde que comecei a pensar sobre a dificuldade de postar anônima, estava imaginando como seria ter um blog com meu nome próprio.
Como eu tenho vontades que vêm do nada, e ficam me cutucando... acabei criando um blog pessoal. E consegui manter uma boa regularidade de postagens. Isso porque avisei no trabalho, mostrei pro namorado e falei com quase todo mundo que está próximo. Aí, ficou fácil. Se eu queria postar, era só abrir o blog 2 e pronto, não precisava ficar me escondendo.
Gostei da experiência. Só não gostei de ter deixando o Abacate de lado. Não estou pensando em escolher entre um e outro, mas em manter os dois. Não quero perder o que postei aqui, mas também não quero que a Lile se misture com "meu outro eu". Nem imagino se, um dia, unir os dois blogs, como farei pra continuar com a História Secreta de Amarilis. Afinal, o "outro eu" não pode, ainda, assumir essa história.
O engraçado é que, pra cada pergunta da Bel, eu tinha uma resposta "Lile" e outra do "eu real". Estava parecendo uma pessoa maluca com dupla personalidade. E sim, quase acreditei que tinha dupla personalidade.
Ah... não, nem pensar. Não vou dizer qual é o outro blog. Pelo menos por enquanto.
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sexta-feira, 10 de julho de 2009
Meus filmes Hair Spray
Um dia desses eu estava lendo o blog da Tati e ela estava falando sobre um filme. E eu acabei pensando nos filmes que eu não deu conta de ver. O principal deles foi Hairspray. Não deu. Não consegui ver nem cinco minutos de filme. Daí, resolvi fazer a minha lista de filmes Hairspray.
Hairspray: como não podia deixar de ser, começo com o filme que me inspirou essa lista. Não que eu não goste de musicais. Eu curto bastante (meu filme favorito é um musical). Mas achei demais. Aliás, achei tudo demais. Colorido demais, pra cima demais, bonitinho demais, artificial demais. Não vi nenhuma graça no John Travolta como a mãe da garotinha saltitante que fica dançando e cantando o tempo todo.
Anaconda (1, 2, 3 e 4): Não dá, né? Eu perdi a paciência logo no começo do filme 1. E nem tentei ver os outros. Tenho um amigo que diz que adora filmes de mentira. Quanto mais mentira, exagero e coisas irreais, melhor. Pra mim, quanto mais isso tudo aí, pior. Filmes como Anaconda também entram na minha lista Hairspray.
Zohan: Eu já tinha falado desse filme aqui. Foi decepcionante, mesmo eu tendo certeza que filme com Adam Sandler é sempre uma caixinha de surpresas. Acabou que depois de Zohan eu desisti de ver todo e qualquer filme do dito ator, seja com ele atuando, produzindo, dirigindo ou servindo cafezinho pro elenco.
Zoolander: Meu namorado adorou. Era de se esperar, foi idéia dele alugar Zohan. Não curto esse tipo de filme. Aliás, deu pra perceber que eu não gosto muito de comédia, né?
Scooby Doo: Essa lista podia chamar "minha falta de paciência com comédias e desenhos". Não gosto do filme bem de graça mesmo. Inclui aí todas as últimas animações "não são filmes pra crianças", como Shrek, Madagascar, A Era do Gelo, dentre outros.
Jogos Mortais (toda a série): Bizarrices à parte, quando li a sinopse do filme até fiquei empolgada, porque gosto de suspense. Mas pelamordedeus... precisa de tanta escatologia? Dá um pouco de medo ver que muita gente é fã da série. Mundo bizarro...
A lista é maior, mas por enquanto só estou lembrando desses.
Hairspray: como não podia deixar de ser, começo com o filme que me inspirou essa lista. Não que eu não goste de musicais. Eu curto bastante (meu filme favorito é um musical). Mas achei demais. Aliás, achei tudo demais. Colorido demais, pra cima demais, bonitinho demais, artificial demais. Não vi nenhuma graça no John Travolta como a mãe da garotinha saltitante que fica dançando e cantando o tempo todo.
Anaconda (1, 2, 3 e 4): Não dá, né? Eu perdi a paciência logo no começo do filme 1. E nem tentei ver os outros. Tenho um amigo que diz que adora filmes de mentira. Quanto mais mentira, exagero e coisas irreais, melhor. Pra mim, quanto mais isso tudo aí, pior. Filmes como Anaconda também entram na minha lista Hairspray.
Zohan: Eu já tinha falado desse filme aqui. Foi decepcionante, mesmo eu tendo certeza que filme com Adam Sandler é sempre uma caixinha de surpresas. Acabou que depois de Zohan eu desisti de ver todo e qualquer filme do dito ator, seja com ele atuando, produzindo, dirigindo ou servindo cafezinho pro elenco.
Zoolander: Meu namorado adorou. Era de se esperar, foi idéia dele alugar Zohan. Não curto esse tipo de filme. Aliás, deu pra perceber que eu não gosto muito de comédia, né?
Scooby Doo: Essa lista podia chamar "minha falta de paciência com comédias e desenhos". Não gosto do filme bem de graça mesmo. Inclui aí todas as últimas animações "não são filmes pra crianças", como Shrek, Madagascar, A Era do Gelo, dentre outros.
Jogos Mortais (toda a série): Bizarrices à parte, quando li a sinopse do filme até fiquei empolgada, porque gosto de suspense. Mas pelamordedeus... precisa de tanta escatologia? Dá um pouco de medo ver que muita gente é fã da série. Mundo bizarro...
A lista é maior, mas por enquanto só estou lembrando desses.
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domingo, 5 de julho de 2009
Cansei
Do funeral do Michael Jackson.
Dos aviões caindo no mar.
Dos escândalos do Senado.
De sofrer com jogos de futebol.
De ver Fantástico (ô, lástima).
Dos domingos.
Dos livros que eu tô lendo.
Dos caras chatos que eu preciso atender no trabalho.
Do yahoo.
Do STF.
Da estrada.
Da aliança.
Cansei.
Dos aviões caindo no mar.
Dos escândalos do Senado.
De sofrer com jogos de futebol.
De ver Fantástico (ô, lástima).
Dos domingos.
Dos livros que eu tô lendo.
Dos caras chatos que eu preciso atender no trabalho.
Do yahoo.
Do STF.
Da estrada.
Da aliança.
Cansei.
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